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O que significa para si o Cachimbo?
Esta é uma pergunta que me fazem frequentemente na rua. Há muitas respostas e razões que atraem e ligam os fumadores de cachimbo.
No meu país a palavra Cachimbo é feminina, por isso gosto de lhe fazer referência como se fosse uma mulher amada. Gosto da sua forma e do seu calor suave quando lhe toco. O fino traço de fumo que se eleva dá-me paz de espírito. O aroma da queima do tabaco suaviza todos os sentidos.
Graças ao cachimbo conheci os melhores amigos na Polónia e no mundo. O símbolo de um cachimbo no meu calendário aponta o próximo evento mundial e leva-me até ao Estoril, em Portugal. Estou ansioso por encontrar os maravilhosos anfitriões portugueses do Campeonato do Mundo 2010, queridos amigos e toda a elite dos amantes do cachimbo.
Anexo ao meu pequeno texto imagens de cachimbos regionais até há pouco usados pelos polacos na região de Zakopane.


Vemo-nos no Casino Estoril
Henryk Rogalski
Presidente do Conselho de Clubes de Cachimbo Polacos
Espero ver-vos no Estoril
Fico realmente ansioso com a realização dos jamborees internacionais de fumadores de cachimbo que o CIPC promove todos os anos, no mês de Outubro. São eventos bem organizados e decorrem em locais que, por si só, são atracções. Este ano estou a antecipar outro encontro agradável com bons amigos de todo o globo no Campeonato Mundial de Fumadores de Cachimbo, que terá lugar a 9 e 10 de Outubro próximo. Tenho a certeza que este acontecimento será tão memorável como os dos anos anteriores.

Tenho tido a sorte de participar na maior parte dos competições internacionais do CIPC desde 2000, quando Alain Letulier, então presidente do Pipe Club de França, convidou Bob Page, de Filadélfia, e a mim para observarmos a competição que nesse ano se iria realizar em Dijon. Esta experiência abriu-nos os olhos para um mundo novo na arte de fumar cachimbo e levou-nos a constituir a União de Clubes de Cachimbo da América (UPCA), para que os fumadores de cachimbo americanos pudessem participar oficialmente. Só lamento não termos sido capazes, ainda, de atrair a estes eventos mais fumadores de cachimbo americanos. No entanto, estamos a dar o nosso melhor para passar a palavra – a UPCA promoveu o Campeonato do Mundo do Estoril no Salão de Chicago (Chicago Pipe Show) recentemente realizado naquela cidade – e espero que muitos dos nossos compatriotas venham connosco a Portugal.
Não há nos Estados Unidos uma tradição de competições de fumadores de cachimbo e, por isso, tem levado algum tempo a despertar o interesse e a desenvolver pelo menos um nível básico de competência. A UPCA tem-no feito através da organização de competições nacionais todos os anos no Salão de Chicago e promovendo uma série de competições regionais e locais em todo o país. Cada vez mais fumadores americanos têm vindo a perceber que é divertido competir – e que o fumo lento requer habilidade. Quando expressam a sua frustração pelos resultados, lembro-lhes a velha piada sobre o turista em Nova Iorque que pergunta “como vou para o Carnegie Hall?” a quem se responde “praticando, praticando, praticando…

É claro que a verdadeira atracção desses eventos do CIPC é a oportunidade de visitar velhos amigos fumadores de cachimbo de outros países e fazer novos. A minha mulher, Susan, hesitava, no princípio, em ir a uma “convenção de fumadores de cachimbo”. Consentiu acompanhar-me a Barcelona alguns anos atrás só porque ela queria visitar Barcelona. Ficou tão impressionada com as pessoas que conheceu que agora quer ir todos os anos. Está a fazer planos para ir ao Estoril e tem tanta expectativa em visitar Portugal como eu. (Meu Deus, eu não vou a Lisboa desde 1970!).
Sei que os nossos anfitriões portugueses estão a trabalhar arduamente desde o ano passado para nos receberem de uma maneira muito especial e nos proporcionarem um fim-de-semana muito agradável. Por isso, exorto-os entusiasticamente a ir ao Estoril e participar na festa. Espero vê-los lá.
Vernon Vig
Presidente da UPCA
Descobrir Portugal
Há muitos anos um embaixador Francês acreditado em Lisboa, chamado Jean Nicot, descobriu o tabaco que desde logo a França começou a importar, e depois o resto da Europa e com ela o resto do mundo. Contudo, além de ter descoberto o tabaco também descobriu o tempo e a beleza de Portugal.
Sim, meus amigos, Portugal é mais que o seu vinho do Porto e o Futebol. Se há duas palavras que podem definir bem Portugal elas são, na minha opinião, TEMPO e BELEZA.
O TEMPO em Portugal é diferente, tudo pára, tudo é lento, tudo vai devagar, tudo se desfruta. Desfruta-se de um bom vinho, não só do Porto mas também das regiões do Douro, da Bairrada, do Alentejo. Vinhos que requerem tempo para serem degustados, sozinhos ou com um bom queijo de Azeitão ou da Serra, ou com um prato de cataplana ou um bom peixe grelhado no carvão. Esse é o Portugal que mistura tempo e prazer.
A BELEZA de Portugal é outro marco a ter em conta. Uma beleza de luz e cor, do mar que beija as suas praias, dos seus prados e vales, de cidades históricas como a antiga Évora romana, onde Vénus tem o seu mais bonito templo, da Coimbra renascentista, da espectacular Sintra, onde Lord Byron não conseguiu escapar ao seu encanto e que aí viveu não se sabe quanto tempo.
A beleza de Portugal também está patente nas suas jóias de ourivesaria em filigrana como não se faz em mais nenhum sítio, nas suas cerâmicas e nos seus têxteis, e certamente nos CACHIMBOS DE PORCELANA DA FÁBRICA DA VISTA ALEGRE, que são cachimbos feitos com a mais fina porcelana, comparáveis aos de Meissen.
É verdade que tudo nele nos faz lembrar o nosso muito querido cachimbo, que com o seu ritual e simbolismo está de acordo com a nossa personalidade em geral e, o que é mais importante, com a nossa FILOSOFIA de vida, onde a beleza e o tempo se unem indissoluvelmente. É por isso que insisto para que conheçam Portugal.
Toni Pascual
Federação de Clubes de Cachimbo de Espanha
O prazer de participar
Há quase trinta anos que participo em concursos de fumo lento e aceitei o facto de as pessoas considerarem extravagante esta minha paixão. É difícil explicar porque é tão bom estar nestes encontros, mas tento sempre explicá-lo a quem tenha a paciência de me ouvir.
A primeira vez que concorri foi em 1983: também eu pensava que participar num concurso com um cachimbo na boca fosse uma actividade estranha, até mesmo excêntrica. Hoje, ao fim de tanto tempo, lembro-me ainda bem das emoções daquele dia: era entusiasmante ver tanta gente que se esforçava por obter o melhor resultado possível, mas com um “fair play” que creio que só existia nos sonhos de Pierre de Coubertin.
Fiquei comovido ao ver como os fumadores mais experientes tentavam ajudar-me com os seus conselhos, como era bom estar no meio de gente tão simpática, que conseguiam combinar ao mesmo tempo empenhamento e alegria.
Foi naquele dia que compreendi que queria fazer parte daquele grupo de pessoas tão divertidas, mas foi só com o tempo que percebi que os concursos de fumo lento me poderiam tornar mais sábio.
Tive oportunidade de conhecer fumadores de todos os países do mundo, alargando assim os meus horizontes acerca das diferenças que há nos hábitos e opiniões dos homens. Pude apreciar o valor da tolerância e a importância de fazer um esforço para perceber quem pensa de um modo diferente do meu.
Mas, sobretudo, aprendi a ter paciência. Quando comecei era um jovem muito impaciente, nem sequer ia ao cinema porque não conseguia estar sentado duas horas seguidas. O fumo lento ensinou-me que, seja qual for a actividade a que nos dediquemos, é necessário saber esperar, na certeza de que tanto o empenho como a atenção acabam por ser premiados.
O fumo lento ensinou-me que a paixão é o prémio de si própria e que prescinde dos resultados: muitas vezes aconteceu-me apagar-se o cachimbo passados poucos minutos, mas aprendi a aceitar que os erros são a maneira de a vida nos dar as suas lições. Paixão, tenacidade e esperança: os ingredientes do fumo lento são também os ingredientes da vida.
Para ser sincero, a sorte também me ajudou a ter sido capaz de obter um ou outro bom resultado: não posso esquecer a emoção da minha primeira vitória internacional, na Taça do Mundo de 2003 em Barcelona: no final apenas dois fumadores (eu e o meu amigo-rival Mauro Cosmo), e aqueles últimos minutos que nunca mais acabam; o coração bate forte, mas deve representar-se como um actor de Hollywood e fazer de conta que estamos calmos. Tic-tac, tic-tac, um segundo após outro e os minutos passam. Na cabeça cria-se uma espécie de vazio, os pensamentos param, os espectadores estão em silêncio…Depois os aplausos, os olhares dos companheiros de equipa, o sorriso de toda a gente. O Mauro levanta-se, aproxima-se de mim, abraça-me e desportivamente dá-me os parabéns: assim deve ser, adversários no cachimbo mas amigos na vida, prontos para a próxima competição.
É por isto que espero ansiosamente o próximo encontro no Estoril: sei que aí vou encontrar 400 amigos que me esperam, para nos encontrarmos, para discutirmos acerca de cachimbos e da vida, para festejar o simples facto de estarmos juntos.
Boa cachimbada para todos!
Gianfranco Ruscalla
HOMENAGEM A PORTUGAL
Em 1550, o primeiro navio comercial português chegou ao Japão. Foi o início das visitas regulares de mercadores portugueses, e alguns dos marinheiros fumavam tabaco de enrolar apesar de no país deles fumar ainda não ser muito comum. Por volta de 1585, parece que um cachimbo de metal Holandês apareceu no Japão e que acabou por ser a origem do cachimbo tradicional Japonês “Kiseru”.
O nome “Kiseru” teve origem nas palavras portuguesas “que sorver” que significam “com que sorver”. O tubo do kiseru chama-se “rao” que também tem origem numa palavra portuguesa “rabo” que significa eixo. Nessa época a maioria dos europeus que viviam no Japão era mercadores e missionários jesuítas Portugueses, até que em 1609 os mercadores Holandeses começaram a fixar-se no Japão.
Assim naqueles tempos, o Japão tornou-se no terceiro país onde se fumava cachimbo, depois da Inglaterra e da Holanda. No entanto, os cachimbos de barro nunca foram populares no Japão. Até os cigarros se tornarem populares, o tabaco só era fumado pelo Kiseru (cachimbos de metal).

Para os fumadores de cachimbo Japoneses a participação no Campeonato Mundial de Fumadores de Cachimbo em Portugal é como que prestar uma homenagem a um país que introduziu o fumo do tabaco no nosso país há quase 450 anos.
O abaixo-assinado começou a ir aos encontros do CICP em 1976 aquando do 3º Campeonato Mundial de Fumadores de Cachimbo que teve lugar em Tóquio. É uma grande honra e com prazer que muitos Japoneses fumadores de cachimbo irão participar na competição em Portugal.
Devemos ter presente que a coisa mais importante é a troca de amizade com os colegas fumadores de cachimbo de todas as partes do mundo e o apelo ao mundo pela liberdade de fumar cachimbo. Isto é muito mais importante do que pura e simplesmente ganhar a competição.
Relax with your pipe!
Barbabas T. Suzuki
Presidente Honorário, Clube de Cachimbos do Japão
Vice-Presidente, CIPC (desde 1984)
(Investigador da história mundial do tabaco)
BTS, 27 de Fevereiro de 2010
World Pipesmoking Championship
Seja bem Vindo!
VAI SER UM ÓPTIMO FIM DE SEMANA!
3000 quilómetros para fumar durante 5 minutos! É preciso ser maluco para o fazer. É verdade, há pessoas assim, fumadores de cachimbo sem nenhuma hipótese de serem campeões, mas que por nada deste mundo perderiam este encontro anual organizado pelo Clube de Cachimbo de um país, sob a égide do CIPC.
Todos os anos, são mais de 400 a encontrarem-se para uma competição amigável e pelo convívio. Vêm de diversos países da Europa, mas também do México, dos Estados Unidos e até do Japão. São a Internacional dos fumadores de cachimbo.
Desde o início, estes encontros são a ocasião para reencontrar amigos, fazer turismo, admirar as obras dos construtores de cachimbos descobertos na Internet, discutir exaustivamente com eles, como os fumadores de cachimbo gostam de fazer, para aprofundarem os seus conhecimentos acerca deste objecto extraordinário.
Mas estes encontros são, casa vez mais, manifestações de defesa dos fumadores de cachimbo criticados e perseguidos, um pouco por todo o lado, pelos ayatollahs da saúde que nada conhecem do modo como fumamos. Nestas reuniões, os fumadores de cachimbo sentem a solidariedade do seu pequeno mundo e compartilham alegrias. Mostram que estão vivos, à procura de momentos de verdadeiros pequenos prazeres proporcionados pelos seus cachimbos.
Mas, as competições, ponto alto destas reuniões, são também momentos extraordinários. Recordarei sempre Pierre Müller, em 1984, em Copenhaga. Foi o último a acabar de fumar, sozinho no centro de uma sala bastante grande. À sua volta havia 400 pessoas, em silêncio completo, retendo o respiração e observando o cronómetro. Toda a gente estava consciente do que estava a acontecer: Pierre ia bater o record do Mundo, e fê-lo, sendo o primeiro a ultrapassar as 3 horas! O ambiente foi extraordinário.
Conhecendo os responsáveis do CIPC, não tenho dúvidas que a manifestação de 2010 será um grande momento, feito à imagem de Portugal.
Alain LETULIER, Presidente do CIPC
Clube de Cachimbo de França
